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POLÍTICAS DE JUVENTUDE EM MARACANAÚ

INGLÊS PARA QUÊ?

Quem realmente curte a cultura geek, passou os últimos sete anos, desde o filme ‘Vingadores’ (2012), esperando para o Capitão América gritar o seu poderoso bordão: Avengers, Assemble! Um dos objetivos de muitos jovens que sonham em dominar o inglês é poder assistir a filmes como o recente sucesso, ‘Vingadores Ultimato’ (2019), no áudio original. E sem legendas.

Para a turma tradicional, que ainda enxerga a política pública de juventude a partir de dois únicos pilares, educação e trabalho, isto pode parecer bobagem. Mas para as diversas juventudes de hoje, que se percebem através de olhares muito mais plurais, conhecer outras culturas é quase tão natural como assistir a um blockbuster, ou acessar uma rede social, por exemplo.

Neste sentido, a proposta do vereador Raphael Pessoa de levar para a Pajuçara uma unidade do Centro de Línguas de Maracanaú (CLM) pode significar, sobretudo para a juventude, inclusão, desenvolvimento e oportunidades. Não apenas por abrir portas para o mercado de trabalho, mas por aproximar os jovens de Pajuçara do mundo.

A educação dos jovens tem que estar mais antenada com a realidade deles” — avaliou Raphael Pessoa — “Para uma geração que praticamente nasceu com um ‘smartphone’ na mão, a inovação e a tecnologia deveriam ser elementos essenciais para novas práticas pedagógicas, sobretudo, para incentivar o interesse, a participação e combater a evasão escolar”.

EVASÃO E VIOLÊNCIA

Vale alertar que a evasão escolar, no Ceará, não significa mais apenas consequências para a inserção deste jovem no mercado de trabalho. Segundo dados do Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência e da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará, 73% das crianças e adolescentes assassinados no estado, em 2017, haviam abandonado a escola há pelo menos seis meses.

Outra proposta apresentada por Raphael Pessoa é a criação de um Comitê Intersetorial para Avaliação dos Índices de Evasão Escolar e Busca Ativa para Inclusão de Adolescentes no Sistema Escolar. “Garantir que os jovens continuem em sala de aula, pode significar, para eles, a diferença entre a vida e a morte” — alertou o parlamentar.

As causas da evasão escolar são muitas. Um dos maiores problemas hoje é, sem dúvida, a presença hostil de facções criminosas que ameaçam e amedrontam muitos jovens. A necessidade de inclusão no mercado de trabalho também é um fator determinante para jovens que não conseguem conciliar escola e emprego.

Para as garotas, há ainda um terceiro fator que afasta muitas estudantes da sala de aula, a gravidez. Em pleno século XXI, muitas jovens estudantes precisam, depois de ter filhos, largas os estudos por não ter com quem deixar os filhos. Para estas jovens mães, a realidade é ainda mais cruel, porque deixam à escola e muitas vezes não conseguem sequer entrar no mercado de trabalho.

ACOLHIMENTO

A solução apresentada por Raphael Pessoa nestes casos é a criação de salas de acolhimento nas unidades de Educação de Jovens e Adultos em Maracanaú. “Com as salas de acolhimento, as jovens mães terão um espaço para deixar suas crianças com monitoras enquanto estudam e fazem suas provas” — explicou Raphael — “é um espaço simples, com brinquedos e cuidadoras, semelhante ao que vemos em muitos restaurantes em Fortaleza”.

As propostas apresentadas pelo vereador Raphael surgiram a partir de sugestões colhidas com os próprios jovens, em reuniões, encontros e através das redes sociais. “O poder público não pode mais fazer política pública para a juventude, se não fizer política pública com a juventude”, afirmou o parlamentar.

Segundo o Estatuto da Juventude do Brasil, é jovem no país todo cidadão com idade entre 15 e 29 anos. Em Maracanaú, quase 70% da população tem menos de 29 anos, o que torna impossível pensar qualquer política pública sem observar seus impactos sobre a juventude. Para Raphael, a política pública de juventude é uma política transversal que deve ser pensada como prioridade quando se fala de saúde, educação, cultura, lazer, trabalho, por exemplo.

Foi por isso que solicitamos e estamos lutando pela instalação de um Comitê Intersetorial de Juventude. Para construir uma política pública de juventude em Maracanaú, que seja compartilhada, participativa e plural, capaz de ouvir especialistas dos diversos setores da Prefeitura e, principalmente, a voz do jovem” — concluiu Raphael Pessoa.