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MARACANAÚ NO MAPA DA VIOLÊNCIA

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Reportagem veiculada neste domingo (4) pelo Fantástico, apontou o município de Maracanaú como o mais violento do Brasil, em números de assassinatos: 145,7 vítimas para cada 100 mil habitantes.
 
A conclusão refere-se a um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) que traz o Atlas da Violência no ano de 2017. É assustador ver Maracanaú liderar um ranking tão vergonhoso, mas para entender esta colocação, precisamos contextualizar os números.
 
Para aqueles opositores da prefeitura que se apressam em divulgar (e politizar) esta lamentável posição, é preciso lembrar que: o estudo não aponta Maracanaú como uma ILHA de violência cercada por cidades pacificadas. Não. Pelo contrário.
 
MARACANAÚ É A CIDADE MAIS VIOLENTA.
FORTALEZA É A CAPITAL MAIS VIOLENTA.
O CEARÁ É O ESTADO MAIS VIOLENTO.
 
No ano de 2017, o estado do Ceará liderou o ranking de violência com mais de 5 mil homicídios. Uma média de 14 mortes todos os dias. Não foi à toa que a capital, Fortaleza, foi também a capital mais violenta do Brasil.
 
Fortaleza foi a cidade do país com o maior número de homicídios em números absolutos, 2.145 casos, em 2017. O Rio de Janeiro, com o dobro da população, teve 1.850 assassinatos. São Paulo, com uma população quatro vezes maior, registrou 1.011 homicídios. Menos da metade de Fortaleza.
 
Nunca é tarde para lembrar que, quem tem a responsabilidade pela segurança pública em todo o Ceará, inclusive por Maracanaú, é o Governo do Estado.
 
Dito isto, precisamos entender que a diminuição da epidemia de violência que vivemos só é obtida com um trabalho intersetorial e envolvendo todas as esferas do Poder Público. É preciso investimento social para as famílias em situação de vulnerabilidade; políticas públicas para as crianças, adolescentes e para juventude; geração de emprego, renda e oportunidades.
 
É preciso qualificar o trabalho policial, com mais investimentos na polícia judiciária, em inteligência e investigação. E é preciso pensar soluções pra todo o sistema nacional de execuções penais, pois os presídios no Brasil se transformaram em unidades de recrutamento do crime organizado.
 
Pensando nisto, neste trabalho integrado e transversal, estivemos em 2017 com a vice-governadora, Izolda Cela, solicitando a vinda, para Maracanaú, do Programa Ceará Pacífico. Não fomos atendidos. Solicitamos a instalação de uma Unidade Integrada de Segurança (Uniseg) e nada. Até o Raio, que foi instalado em Maracanaú, teve um efetivo menor de que municípios com menores indicadores de violência.
 
Em 2019, o Governo Federal anunciou para Maracanaú, um Plano Piloto de Segurança Pública com investimentos na ordem de R$ 200 milhões. Valores investidos em prevenção (infraestrutura e desenvolvimento social) e repressão (equipamentos e efetivo) da criminalidade. Infelizmente, segundo o próprio Governo Federal, este projeto não veio para Maracanaú por falta de apoio do Governo do Estado.
 
Para sermos justos e fazermos uma análise correta da realidade, no ano de 2019, até a data de hoje, foram registrados 1.408 homicídios no Ceará. Uma média de 6 homicídios por dia, contra 14 homicídios por dia, em 2017.
 
Estes números sozinhos, com certeza, retiram Maracanaú deste famigerado ranking de violência. Pelo menos da liderança. Melhoram consideravelmente a situação do Ceará. Mas não são suficientes para tranquilizar o povo cearense, em especial o de Maracanaú.
 
Afinal, é praticamente impossível apontar seguramente qualquer política pública do Governo do Estado do Ceará que reflita uma redução tão drástica do números de assassinatos no Estado. Em Maracanaú, não sei se por mera perseguição política, não vimos absolutamente nada. E nos assusta pensar que a redução, apesar de comemorada, seja apenas uma trégua na violência no Ceará.